segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Qual o estado das nossas Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR)?

Em matéria de esgotos, apesar dos elevados investimentos, o país contínuo uma lástima, isto para não usar as palavras correctas. Como não creio que o concelho esteja melhor deixo uma breve panorâmica sobre o problema a nível nacional. Segundo os dados disponíveis, em 1972 apenas 18% dos portugueses tinha os seus lares ligados a sistemas de drenagem de esgotos, os quais, todavia, não eram devidamente tratados, a maioria era drenado e atirado rio abaixo como que a fazer valer o ditado “longe da vista longe do coração”, pois apenas 2% das águas drenadas eram na altura tratadas. Em 1974, o problema foi assumido como uma prioridade do novo regime, para mais uma pandemia de cólera afectava o mundo inteiro e as principais áreas urbanas nacionais, contudo as prioridades eram outras – os famosos 3 D’s – Descolonizar, democratizar e desenvolver. No caso do distrito de Viseu, em 1974 apenas 3,1 % da população era servida com ligações domiciliárias de esgotos, sendo que em 1977, numa inventariação feita pela Organização Mundial de Saúde, essa percentagem atingia apenas 4%.
Com a adesão à actual União Europeia veio o dinheiro para que fossem finalmente construídas as infra-estruturas de drenagem e as estações de tratamento. E muito dinheirinho se gastou. Mas talvez com a pressa de se aproveitar o dinheiro que vinha de Bruxelas, quando foi de facto aproveitado para os devidos fins, as infra-estruturas construídas rapidamente foram votadas ao abandono, ou por falta de ligação, ou por falta de técnicos, ou por falta de planeamento, bem, desculpas não faltam, o que se sabe é que foram investidos milhões que quase não serviram para nada.
O Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais (PEASAAR I 2000-2006) previa para 2006 uma taxa de cobertura de 90%, a qual nem de perto nem de longe foi alcançada, de tal modo que essa meta foi adiada para 2013, através do PEAASAR II 2007-2013. No entanto, esta meta dificilmente será alcançada em todas as regiões hidrográficas. Como resultado, detiora-se a qualidade da água da maior parte dos rios nacionais, basta para tal ver os dados disponíveis no SNIRH-Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos relativo aos dados 1995 a 2007 para se concluir que, em termos globais, a qualidade da água dos rios nacionais praticamente não sofreu alteração. Resumidamente, em 1995, 40% da água dos rios nacionais era considerada “Má” ou “Muito má”; e em 2000 essa percentagem desceu para 35%; em 2005 subiu para 39%; e, em 2007, 34% da água da maior parte dos nossos rios foi considerada como “Má” ou “Muito má”.
Assumindo que os dados que constam no último Inventário Nacional de Sistemas de Abastecimento de Água e de Águas Residuais (INSAAR 2009) estão correctos verificamos que, em 2007, o índice de drenagem de esgotos no País não ultrapassou 77,5%. Creio aqui que o mais importante não é apenas assinalar as enormes assimetrias regionais registadas – e o mesmo se passa relativamente ao índice de tratamento - nem a ausência de tratamento adequado. O mais importante é assinalar que o mesmo inventário contém apenas dados relativos ao sector doméstico, sendo omisso relativamente aos restantes sectores de actividade. Assim sendo, é praticamente impossível que uma política de saneamento básico (i.e. esgotos) dê os resultados esperados quando parte de dados que não correspondem à realidade do país.
Assim continuamos a gastar recursos e a ter os mesmos problemas. Sendo a água uma bem cada vez mais escasso e o acesso aos serviços de saneamento uma questão de cidadania, é inadmissível que em diversas regiões do país se continuem a ignorar quer os cidadãos quer o meio ambiente. Sem esquecer que os nossos rios são elementos patrimoniais únicos que importa preservar. Parece que de pouco serve o direito constitucional a viver num ambiente sadio, continuamos a fechar os olhos à incúria e leviandade. Mas o pior de tudo, é que quem deveria garantir o bem-estar e qualidade de vida dos cidadãos, assim como a manutenção dos valores naturais, por um lado, abdica da sua acção fiscalizadora e, pior ainda, tem uma quota-parte de responsabilidade no processo. Se for este rumo estamos definitivamente perdidos, pois nada se faz e o dinheiro é gasto. Cabe-nos a nós, enquanto cidadãos, zelar pelo que é de todos, sem querer substituir os poderes instituídos creio que parte da solução poderá passar pela constituição de uma comissão de acompanhamento, isenta, não politizada, mas o primeiro passa deve ser dado pelas autarquias e pelo próprio Governo, assumindo a gravidade do problema e definindo-o verdadeiramente como prioridade. Sem isso vamos continuar como sempre, expostos à rentabilidade ou não do processo, quando o que está em causa é a defesa de um direito dos cidadãos e da natureza. Ainda assim, importa referir, que o sector é um dos que mais emprego gera, daí que por vezes o argumento segundo o qual investir na melhoria da qualidade ambiental das empresas pode implicar desemprego é uma falsa questão, é um mero argumento usado por conveniência.
Como comecei por dizer, o nosso concelho não deve divergir muito em relação ao resto do país. O que proponho, na qualidade de cidadão, é que se identifiquem os problemas e se remetam a quem de direito, pois só assim teremos força suficiente para fazer reverter o processo. Cruzar os braços é arriscar qualquer dia não ter água para beber e facilitar a acção desmedida dos prevaricadores. Naturalmente que a primeira intervenção passa por nós, na medida em que podemos identificar as lacunas existentes, mas também ao evitar-se contribuir-se para o agravamento do problema, não vamos é “lavar daí as mãos”, até porque corremos o risco de as lavar em água contaminada.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Cidadãos a tempo inteiro

Em jeito de nota venho apenas dizer que pouco importa quantos vereadores assumem o cargo a tempo inteiro, desde que o exercício da sua actividade seja em proveito da nossa terra essa questão tem pouca importância. Do nosso lado, eleitores ou não, mas interessados em ver melhor rumo, importa que se assuma que somos cidadãos a tempo inteiro, facto que não deve significar resignação. Pelo contrário, deverá significar que não só estamos atentos e queremos participar nesse rumo, não acenando sim ou não, mas debatendo tal rumo. Pois uma democracia sem a nossa participação não é democracia, é permitir-nos que alguém decida por nós. Com a agravante que mudando a cor política tudo o que for feito será desaproveitado, como é prática no nosso país.

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Dia do não fumador

Isto de se comemorar dias de isto e daquilo é na verdade uma grande treta, embora do ponto de vista de quem os promove tenham os seus méritos, até porque, de outra forma, não estaria aqui mais uma vez a deixar mais uma vez a deixar uma nota sobre o tal dia. De qualquer modo, é um dos temas que tenho referido com uma acentuada frequência pelo facto de pelas nossas bandas, na minha opinião, não se estar a cumprir a lei que proíbe o tabaco na maioria dos estabelecimentos, permitindo-o apenas em locais preparados para o efeito, que numa leitura generalizada parecem ser todos, mesmo que a lei diga o contrário. É incrível a falta de autoridade. Subitamente, em todos os cafés e afins qualquer fumador pode sacar do seu cigarro, sem qualquer preocupação, as únicas palavras que escutam são "quer um cinzeiro?". Para que servem as leis se não são para cumprir?

P.S. Não tenho nada contra os fumadores, nem isso que está em causa: o cumprimento da lei e a acção do Estado como agente fiscalizador, da qual mais uma vez parece abdicar.

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Inauguração da Exposição Internacional de Fotografia "Prevenção e Segurança Rodoviária"

A Inauguração da Exposição Internacional de Fotografia "Prevenção e Segurança Rodoviária", da Civilização Activa e United Photo Press, que decorre desde o passado dia 12 de Novembro ao dia 5 de Dezembro na FNAC de Viseu, contou com a presença do Presidente da United Photo Press, Carlos Sousa, várias entidades ligadas ao sector, autarcas e o piloto Filipe Albuquerque.

A Exposição Internacional de Fotografia " Prevenção e Segurança Rodoviária " composta por 30 fotografias de 30 fotógrafos membros da United Photo Press em todo o mundo, tem o apoio e reconhecimento internacional da "European Road Safety". Por não ser possível estar presente na inauguração da exposição, no inicio da abertura, foi lido o discurso da Drª Eva Prudilová da "European Road Safety" em que saúda e elogia a exposição da United Photo Press "...pelo seu carisma no impacto do conteúdo fotográfico, para que novas atitudes de civismo rodoviário sejam tomadas pelos condutores no mundo inteiro...".

A abertura e "condução" do colóquio foi "dirigida" pelo Presidente da Assembleia Internacional da United Photo Press, Dr. Vasco Ribeiro dando de seguida a palavra ao Governador Civil de Viseu, Dr. Alcidio Faustino (ao centro da foto), salientando que "...mais que saudar a organização, devo fazé-lo... mas saudar principalmente o facto de todas as instituições se terem associado a esta inicitiativa, não é todos os dias que conseguimos ter 9 instituições... associamo-nos com algum motivo: o tema não é um tema qualquer...o Governo Civil tem responsabilidades acrescidas nesta matéria de segurança rodóviária...e esta não é uma responsabilidade de uma só instituição é uma responsabilidade de todos e a prova está presente aqui hoje...", disse o Governador Civil.

O segundo discurso da noite foi da Mecenas da exposição internacional, a Presidente da Câmara Municipal de Nelas, Drª Isaura Pedro (1ª á direita), ao qual a United Photo Press expressou publicamente o seu agradecimento no apoio incondicional da autarquia ao evento, do Presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, Luis Farinha (1º á esquerda), Vice-Presidente da Prevencão Rodoviária Portuguesa Drª Rosa Pita (2ª á direita), Representante do Automóvel Clube de Portugal, Drª. Sofia Novais (2ª á esquerda).
A exposição contou ainda com o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Viseu ,Vareador da Câmara Municipal de Nelas e a Directora da Comunicação e Acção Cultural da FNAC de Viseu, Drª. Lúcia Simões.

Luis Costa e Dr Vasco Ribeiro da United Photo Press

De máquina fotográfica na mão o Presidente da Civilização Activa, Luis Costa, que também é fotógrafo e director dos desportos motorizados da United Photo Press, realizou as fotografias da inauguração da exposição, ao qual a nossa equipa agradece todo o empenho e profissionalismo demonstrado.

Piloto oficial da A1 GP Team Portugal, Filipe Albuquerque com o Presidente da United Photo Press, Carlos Sousa

Após os discursos das entidades presentes, o piloto Filipe Albuquerque encerrou a inauguração da exposição salientando que decidiu associar-se a esta iniciativa pois considera que as questões da Prevenção e Segurança Rodoviária devem ser uma preocupação de toda a sociedade. Como piloto profissional que é, Albuquerque alerta para que nas estradas as regras sejam cumpridas: “Acho que é uma obrigação de toda a sociedade civil apelar à condução segura. O nosso país tem uma taxa de sinistralidade elevada e isso deve ser ponto de referência para todas as pessoas. O cumprimento das regras e o civismo na estrada devem ser factores de referência para quem conduz”, disse Albuquerque.

Após o encerramento da exposição na FNAC de Viseu, dia 5 de Dezembro, estão a ser agendadas datas, para que a exposição internacional seja também visitada noutros locais de Portugal em 2010, nomeadamente no centro de exposições da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, no Automóvel Clube de Portugal e passando também pelo Algarve, Madeira e Açores. No estrangeiro, Espanha e Bruxelas serão os primeiros países a receber a exposição internacional da United Photo Press, seguindo-se numa segunda fase a America Latina.


Dr. Luis Farinha (Autoridade Nacional Segurança Rodoviária, Dra Sofia Novais (Departamento de Marketing do ACP), Dr Alcidio Faustino (Governador Civil de Viseu), Dra Rosa Pita (Prevenção Rodoviária Portuguesa) e Dra Isaura Pedro (Presidente da Câmara Municipal de Nelas)




domingo, 15 de Novembro de 2009

De Nelas para Copenhaga, que exemplo?

Vai realizar-se brevemente a Cimeira de Copenhaga que, para quem não sabe, é genericamente uma cimeira global pelo clima. Tenho com frequência referido a questão da mudança climática e a necessidade de se intervir com urgência e a todas as escalas, pois já não serve o argumento: "isso é longe não nos afecta". Relembro os recentes exemplos da alteração em poucos anos do calendário das vindimas e da apanha da azeitona, reparem na rapidez da mudança. Se não se fizer nada com urgência não sabemos onde tudo isto vai parar.
Anteriormente, em tempo de crise, as questões ambientais eram sacrificadas com o argumento do crescimento da economia, embora se saiba que o ambiente é uma das principais áreas da economia. Ao contrário do que nos querem fazer entender, cuidar do ambiente pode ser cuidar do emprego. Por exemplo, nunca entendi porque não ligamos à nossa floresta. Em tempos idos, embora as opções não tenham sido as melhores, a florestação do país serviu para fixar as pessoas aos campos. Poderíamos sempre retirar a parte boa de tais exemplos e colmatar as lacunas. Estaríamos assim a investir no futuro e minimizar o problema do desemprego que tanto afecta o país e a região.
Falei em ambiente mas as alterações climáticas não são um problema climático, ainda que o debate se tenha iniciado por essa via. São um problema mais vasto e a exigir medidas concretas, pois o impactos que venham a gerar não são exclusivamente sobre o clima, são sobretudo sobre as populações. Veja, por exemplo, que com a subida de temperatura diminuem recursos como a água, o que afectará o abastecimento público e a agricultura. Por outro lado, aumenta o risco de ocorrerem fenómenos extremos, como tempestades, vagas de frio, ondas de calor.
Problemas assim exigem uma resposta de todos nós, mas é ao poder político que cabe grande parte desse esforço, em parte na sensibilização dos cidadãos, mas sobretudo a darem o exemplo, não só diminuindo a sua pegada ecológica, mas implementando programas locais que contribuam para a diminuição dos gases com efeito de estufa. Como cidadãos cá estaremos para dar o nosso melhor contributo.

Não são as divergências que me calam

Obrigado! Agradeço as palavras de incentivo deixadas no último comentário. da minha parte devo acrescentar que não me remeti ao silêncio por me sentir intimidade ou desmotivado, embora sejam coisas com as quais se deva contar espero que não cheguem para se prossiga esta quase cruzada, não contra ninguém, apenas com o objectivo de tomar o pulsar do concelho e levá-lo um pouco mais longe. Ainda que nem sempre se consiga estar presente, bem como referir todas as localidades e temas. Como devem adivinhar este é um registo totalmente voluntário, como tal, e aquilo falo por mim, não sucumbe perante o desagrado, mas o seu ritmo e presença resulta da disponibilidade de quem participa neste espaço. Infelizmente, como sabem, têm sido infrutíferas as tentativas de registar outras colaborações, o que por vezes me espanta, pois nos momentos precisos algumas vozes fazem-se ouvir, mas na hora exacta, no momento em que interessa arregaçar as mangas nem uma desculpa deixam. Enfim, sobre essas e outras matérias muito teria para dizer. Tentarei não sair deste trilho, tarefa necessariamente interrompida por outras prioridades.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Exposição Internacional de Fotografia na FNAC “Prevenção e Segurança Rodoviária”


Exposição Internacional de Fotografia na FNAC
“Prevenção e Segurança Rodoviária”


A Civilização Activa e a United Photo Press apresentam a Exposição Internacional de Fotografia “Prevenção e Segurança Rodoviária”, com o apoio do Governo Civil de Viseu, da Câmara Municipal de Nelas e da FNAC Viseu.

A exposição reúne a selecção de 30 trabalhos de fotógrafos da United Photo Press de todo o mundo e foi concebida especificamente no intuito de alertar para os problemas de Prevenção e Segurança.

As fotografias retratam a diversidade e as peculiaridades contrastantes de algumas cidades como S. Paulo, Maputo, Joanesburgo, Nova Yorque, Lisboa, Sidney, Luanda, Cidade do México, Santiago, Buenos Aires e outras.

Algumas fotos das personagens retratadas contextualizam e são susceptíveis de poder chocar o público, no sentido de sensibilizar para novas atitudes rodoviárias.
Para esta mostra, os fotógrafos da United Photo Press agiram como antropólogos visuais, insistindo no registo do momento, do facto e da paisagem observada.

A exposição, ainda que especificamente subordinada ao tema da Prevenção, revela singulares imagens da arte fotográfica.

O resultado é fruto de uma vivência, da alma e da razão, que, simultâneamente, transforma a realidade em denúncia e a imagem em signo, ícone e manifesto.

A exposição será inaugurada no dia 12 de Novembro, às 18 horas, e estará aberta ao público de 12 de Novembro a 5 de Dezembro de 2009, na FNAC, em Viseu (Centro Comercial Palácio do Gelo).

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Ranking Escolas Ensino Secundário 2009 SIC

A SIC noticiou hoje o Ranking das escolas do ensino secundário publicas e privadas de 2008/2009.

Mais um vez, as escolas privadas ocupam os primeiros lugares, "empurrando" o ensino publico para os lugares mais fundos na tabela...

Cada vez mais ter dinheiro significa maior facilidade de acesso à educação e às melhores notas...queres ter boas notas, pagas...

Já por outro lado os pobres ou menos afortunados têm de se contentar com menos condições para estudar, e logo vão ter mais dificuldades no acesso a cursos, por exemplo.

Afinal, o dinheiro não só ajuda na felicidade como a educação...

Já as escolas do concelho podem ser encontradas no lugar 134º  (Escola Básica e Secundária Engº Dionísio Augusto da Cunha) e no lugar 403º (Escola Secundária de Nelas), entre 504 escolas avaliadas.





segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Quem ficou a ganhar?

Se acompanharam as minhas palavras nos últimos anos (pelo menos desde 1996), devem ter concluído que não sou adepto de maiorias, muito menos da repetição de maiorias, a tal ponto de não ser bem acolhido pelo anterior presidente (neste caso duplamente anterior). Não é pelo partido A, B ou C ter tido maior percentagem de votos expressos que mudo de opinião, se bem que podem pensar que possa não tenha motivos para festejar pois ainda me está atravessado o boicote à nossa participação na Feira do Vinho deste ano. É verdade que foi um gesto nada amistoso por parte da autarquia, seja como for não é isso que está em causa. Aliás, não são as pessoas que estão em causa, pois na verdade não as conheço, apenas mantenho as minhas reservas quanto a maiorias e sua repetição. Do ponto de vista pessoal, parabéns para eles, conseguiram mais uma vitória.
Pergunto-me quem saiu vitorioso das eleições de ontem. Certamente os partidos da coligação e os seus membros. Como acho ser pouco questiono-me sobre se as populações saíram vencedoras. Não tenho resposta para esta questão, pois levanta muitas dúvidas, implicaria um estudo aprofundado sobre o eleitorado do concelho, a sua caracterização e motivações políticas. Fui-me dando conta ao longo dos últimos meses de algum descontentamento, que me parecia algo abrangente, contudo, seja qual for o motivo, acredito que legítimo, os dados são claros quanto aos vencedores. O que me preocupa realmente é a ausência da chamada massa crítica, assistindo-se à formação de dois grupos (pelo menos) com ideias idênticas mas caras diferentes. De um lado lamento que em 4 anos se tenha passado do sorriso a outras expressões que o eleitorado desconhece mas aprova. Do outro lado lamento que a febre por um lugar ao sol tenha deixado marcas profundas na oposição.
Seja em que contexto for acredito que só uma oposição forte é capaz de mobilizar os cidadãos, discutindo com eles propostas e, sobretudo, criando junto deles um desejo repetido de mobilização em prol de causas. As maiorias geram apatia e geram desconfiança. Por um lado, existindo estabilidade os cidadãos acham que já cumpriram o seu papel e agora cabe aos seus representantes eleitos fazerem tudo por eles, por vezes evidenciando um paternalismo atroz, com expressões do tipo: "eles é que sabem, eles é que têm os livros" ou "já paguei os meus impostos, não tenho nada a ver com isso, eles que façam". Por outro lado, essa estabilidade gera por vezes desconfiança, tantas vezes expressa com termos como "falta de transparência" e outros afins. Receio que a criação de dois blocos, à semelhança do país, no coloco perante divergências irresolúveis, gerando focos de antagonismo que pouco dignificam a nossa democracia.
Pelo contrário, a existência de minorias força ao diálogo, fomenta o interesse das pessoas pela actividade pública. Infelizmente tudo se resume a política partidária, chegando-se ao ridículo de ver organizações da sociedade civil de cariz não partidário a transformarem-se em partidos. Clientelismo a quanto obrigas!
Retomando a questão de quem vence as eleições. Sim foi a coligação. Talvez não tenha sido o povo, se se votar à letargia e ao mero acenar com a cabeça estaremos a recuar. Creio que cabe aos autarcas eleitos dar vida ao concelho, com iniciativas abrangentes, sem excluírem ninguém, fomento a diversidade e a discussão de ideias. Só assim se poderá afirmar que vencemos todos. Sei que as minhas palavras não são propriamente bem recebidas pela maioria vencedora, seja como for não deixo de dizer o que penso.

domingo, 11 de Outubro de 2009

Eleições Autárquicas 2009

A coligação PSD-CDS ganhou as eleições para a câmara de Nelas. Dra. Isaura será portanto reconduzida no cargo.

Resultados finais para a Câmara Municipal de Nelas




Cliquem aqui para ver todos os resultados das eleições autárquicas 2009. Vejam como ficou a votação na vossa freguesia por exemplo.

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Estamos todos de luto

Apenas à noitinha fui informado do trágico acidente que vitimou a Sra. Vereadora Natália Coelho e a Sra. Clara Coelho Moreira, após despiste, seguido de colisão, da viatura em que seguiam na EN 231 entre Viseu e Nelas, em Oliveira de Barreiros. Não vou usar os habituais argumentos "Pois! Aquela estrada é assim...". É tarde para recuperar duas vidas que se perderam em instantes. Este é apenas o momento de dirigir palavras de conforto às famílias e permitir que cada um, de forma individual ou colectiva, suporte a dor do luto. Expresso às famílias o meu mais sentido voto de pesar.

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Salvem-nos deste pesadelo!

Embora não seja eleitor no concelho tenho feito um esforço para conhecer minimamente as propostas dos candidatos à futura liderança da autarquia. Parece-me tudo ainda muito vago, isto quando deveriam publicamente divulgados os respectivos programas eleitorais. Creio que a ideia da arruada, no nosso concelho e em muitos outros por vezes transformado em “carrada”, para não dizer num ruidoso vai e logo volta de carros que mais parecem alegóricos, retira conteúdo à campanha. Alguém sugeriu, e com razão, que o ideal seria juntar todos os candidatos no cine-teatro ou espaço similar, pois só no debate de ideias se perceberia o que realmente querem para o nosso concelho. Assim só ficamos a saber quem tem a t-shirt mais gira, quem oferece mais prendinhas ou quem tem dificuldades em se fazer ouvir, se a Dona Rosa, se a Dona Deolinda ou se a Dona Abstenção, isto para não extremar posições e acreditando que quem mais alto grita mais dificuldades tem em se fazer ouvir.
Andei meses a fio a tentar perceber, por um lado, que trazem de novo os velhos e os novos candidatos, a única conclusão a que chego é que trouxeram subitamente mais poeira (mesmo de chuva), mais alcatrão, mais ataques entre uns e outros e, porventura, mais afilhados, mais deserdados... Com tanto prurido a política transforma-se num arraial, mas sem populares, pois esses estão fartos de serem figurantes e nem o papel de mirones o satisfaz. Tal acontece em Nelas como em qualquer concelho do país, pois trocou-se a política de causas pela política de caras e é de caras ou descaradamente que nos vão catando os votos para assim de forma legítima assumirem mais um mandato. O mesmo é dizer que como eleitores somos cada mais “uns vendidos”. E ainda temos a lata de aceitar que votar se trata de um dever cívico. Infelizmente assistiu-se nas legislativas à transformação de movimentos cívicos em partidos políticos, não entendo o motivo, aliás creio que entendo, são liderados por pessoas com uma necessidade faminta de protagonismo. A minha esperança sempre esteve do lado da dita sociedade civil, mas vejo a sociedade civil apática, rendida e, como digo acima, vendida, aos caprichos da luta partidária. Se assim se mantiver este cenário não precisamos de novas pessoas na política, aliás quase nem precisamos de pessoas, pois novas ou velhas são incapazes de liquidar esta viciante engrenagem, ainda a melhoram no sentido de servir os seus interesses. Sem uma real vontade de mudar os destinos do país e do nosso concelho apenas se assistirá à gestão corrente, faltará uma visão estratégica capaz de nos colocar entre os melhores exemplos.