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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Luta


terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Defesa do ambiente vs "terrorismo político"

Como sabem não me quero meter na política ligado aos partidos, o que não significa que não tenha intervenção pública, a qual, por exemplo, pode ter como ponto de reflexão a acção dos políticos locais. Serve esta breve introdução para vir a público manifestar o meu apoio à associação Ambiente em Zonas Uraníferas (AZU) e em particular ao seu seu presidente, o Sr. António Minhoto, perante a forma ofensiva como foi tratado por um dos vereador da autarquia de Nelas, tal como a cobertura mediática de hoje documenta. Imagino que eu tenha direito ao mesmo tipo de tratamento, pois em várias ocasiões ousei denunciar vários casos. Fiquei a saber que pelo menos numa das minhas últimas intervenções não agradei, não sei se foi por ter mostrado imagens sobre a poluição do ribeiro corre junto à estrada que vai para Seia e desagua no Mondego, se por outras situações similares. Lembro-me ainda que várias vezes me referi à possível contaminação radioactiva da ribeira da Pantanha, na medida em que levava para o rio Mondego as escorrências da mina da Urgeiriça, sendo que os interessados nunca foram avisados de eventuais perigos, recebendo em contrapartida uma "recompensa" em dinheiro. Episódios à parte, vamos ao que interessa.
São bem conhecidas algumas formas de protesto em favor da defesa do ambiente que pouco o beneficiam, dado o seu radicalismo. Por outro lado, tal como outras formas de expressão cívica, a defesa do ambiente assume contornos específicos consoante o motivo concreto, o risco que representa, o passivo ambiental que afecta as populações, os actores locais e a capacidade de influência de alguns protagonistas. Isto só para citar alguns exemplos e estava sobretudo a lembrar-me do que se passou em Coimbra, para ser exacto em Souselas, com a questão da co-incineração. Sendo que nesse exemplo a questão ambiental foi tomada como o impulso para tirar Coimbra e a região do "esquecimento" ou para colocar a região na agenda se assim preferirem.
Ao contrário do exemplo anterior, o ambiente é visto no nosso país, sobretudo por empresários e autarcas, como um empecilho. Aliás o mesmo se passa com o ordenamento do território. Quando se trata de concorrer a fundos comunitários não se esquecem de valorizar a excelência de determinada área, exaltando o empenho das populações e as qualidades naturais dessa mesma área. Mas quando pretendem contornar os "obstáculos" ao que dizem ser desenvolvimento disparam em todos os sentidos à procura dos culpados, de quem impede o modelo de "desenvolvimento" que defendem. Talvez seja bom lembrar dois aspectos fundamentais: a defesa do ambiente é uma necessidade urgente; defender o ambiente não é atributo de uns quantos "guerreiros do apocalipse", deve envolver todos os cidadãos, seja qual for a profissão ou o cargo que ocupem, é uma questão de cidadania, não de terrorismo, pois isso será atentar contra o ambiente.
Não sei quanto dinheiro foi gasto na Quinta da Cerca, seja qual for a importância o episódio que hoje surge na comunicação social demonstra claramente que o ambiente somente é tomado como um valor a preservar quando pode ser usado como bandeira na luta política. De outra forma é desvalizado ou completamente desprezado, tal como aconteceu. Não vale a pena esconder a poluição com o potencial emprego que cria, pois todos sabemos que existem cada vez mais tecnologias limpas, se não são introduzidas ou é porque alguns fecham os olhos ou os outros arranjam formas de poupar. Até porque, como sabemos, as empresas poucos anos depois mudam de região e de país e o problema por elas criado permanece durante várias décadas. Falam tanto em desenvolvimento sustentável que esquecem a sua implementação, será pedir muito?

Manuel Marques com queixa-crime por Difamacao

Noticia retirada do Jornal Publico Online


Associação Ambiente em Zonas Uraníferas

Associação ambientalista apresenta queixa-crime contra vereador de Nelas por difamação

22.01.2008 - 12h02 Lusa

A associação Ambiente em Zonas Uraníferas (AZU) anunciou hoje ter apresentado uma queixa-crime por difamação contra o vereador da Câmara de Nelas Manuel Marques, que acusa de ter chamado "terrorista político" ao seu presidente, António Minhoto.

António Minhoto disse que a acusação foi feita por Manuel Marques a propósito da recente denúncia da AZU sobre a poluição na Ribeira da Pantanha, numa extensão de quatro quilómetros, entre a Barragem Velha da Urgeiriça (Canas de Senhorim) e o Rio Mondego, no concelho de Nelas.

Depois de António Minhoto ter atribuído a poluição a um pólo empresarial de Canas de Senhorim "que a autarquia tem de saber cuidar, criando condições para as empresas se instalarem, especialmente ao nível do tratamento dos resíduos industriais", o vereador Manuel Marques disse que "esse senhor é um terrorista político que quer destruir o concelho de Nelas", segundo o “Jornal de Notícias” de 11 de Janeiro.

Por considerarem esta afirmação "deselegante" e que "não corresponde nem à situação em causa, nem à postura da AZU desde a sua fundação", os órgãos sociais da associação decidiram avançar com uma queixa-crime contra Manuel Marques.

Contactado pela Lusa, o vereador Manuel Marques (PSD/CDS-PP), responsável pelo pelouro do Ambiente, confirmou ter chamado a António Minhoto "terrorista político", uma atitude da qual diz não estar "nada arrependido".

"Ele faz política de qualquer maneira, de uma forma terrorista", referiu, ao justificar o epíteto, acrescentando que a afirmação aconteceu num contexto de "um encher de ataques, quer pessoais, quer políticos".

A associação ambientalista lembra que foi criada em 2003, "para salvaguardar a existência de um melhor ambiente" na região, onde esteve sedeada a Empresa Nacional de Urânio (ENU) e durante décadas foi explorado aquele minério.

"A AZU contribuiu, com a sua insistência, para que o problema assumisse uma dimensão nacional, permitindo que a recuperação ambiental se iniciasse e fosse realizado um estudo epidemiológico sobre o impacto da radioactividade nas populações", acrescenta.

Por entender que todas as actividades que desenvolveu foram "sempre realizadas no mais estrito respeito pelas instituições e pelas pessoas", a AZU considera "abusivo o epíteto" atribuído ao seu presidente.

Manuel Marques referiu que tudo faz "em defesa dos industriais do concelho", garantindo que no caso da poluição da Ribeira da Pantanha, estes estão a agir dentro da lei. "Os parâmetros das descargas estão dentro dos parâmetros legais".

António Minhoto já recebeu a solidariedade da comissão dos ex-trabalhadores da ENU, da qual tem sido porta-voz, e também da associação ambientalista Amigos da Serra da Estrela.