domingo, 14 de outubro de 2007

A regionalização dos líderes

Para alguns de nós poderá parecer estranho recente retomar da regionalização, colocando de novo o tema na agenda política, só se não se sabe se isso corresponderá a colocar o tema nas prioridades políticas, sobretudo dos dois partidos que têm repartido a governação no dito Portugal democrático. Por muito irritante ambos os partidos são a favor da "sua" regionalização, embora o modelo possa até coincidir esmeram-se em derrotar a proposta uns dos outros, dependendo se não no Governo ou na oposição.
A anteceder o referendo os argumentos "divergentes" não passavam de um traço ou outro no mapa. O mais irritante é que a questão de traçar ou não um mapa é um pormenor em tudo isto. Na verdade existem já dois ou três mapas possíveis: o das províncias; e o das regiões definidas pelas NUTS do INE, sem esquecer a divisão que tal sugere nas regiões plano correspondentes às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional.
Outro argumento a reter da altura era o do medo da regionalização vir a criar mais caciques locais, ora, passados estes anos, o que se constata é que esses caciques já existiam e tinham era receio de serem substituídos por outros, daí rejeitarem a regionalização. E também por medo de vir a ser renovada a classe política, até aqui concentrada em aparelhos de partidos, ou barões ou como lhe queiram chamar.
Com este agendar persistente fica a impressão de que tudo agora se resolverá brevemente, infelizmente não estou convencido que tal aconteça. Este Carnaval só serve objectivos eleitoralistas, basta ver que tudo é arrastado para depois de 2009, até porque os interesses locais estão cada vez mais representados nas principais forças partidárias, sendo óbvio que os autarcas não querem perder poder. Se existe matéria a necessitar de consenso nacional é a regionalização, contudo tem sido um dos temas que mais tem dividido os grandes partidos. Quando deveriam estar unidos defendem os seus membros e fazem erguer as lógicas locais, que, apesar de merecerem todo o respeito, estão em segundo plano face aos interesses nacionais. Pelo menos relativamente a esta matéria, pois construir uma grande infra-estrutura com o argumento de ser importante para o interesse nacional terá uma questão analisada caso a caso.

1 comentário:

efeneto disse...

Exelente ponto de vista compartilhado por muito boa gente, incluindo eu.
[...]Com este agendar persistente fica a impressão de que tudo agora se resolverá brevemente, infelizmente não estou convencido que tal aconteça.[...]. Nem eu. Saudações amigas.