segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Novas formas de caciquismo?

Uma primeira nota de agradecimento a todos e todas que surgiram em minha defesa após um comentário com o alvo errado. As notas seguintes vão para as causas de tal comentário.
Nelas está longe de ser uma vila e um concelho moderno, apesar de razoáveis indicadores económicos, resultantes da instalação de várias indústrias e serviços, revela um enorme deficit democrático. Alguém dizia outro dia que é muito difícil pensar que as pessoas vão contestar seja o que for, mencionando estarem dependentes do poder político-administrativo cerca de 700 pessoas (pensem no número de famílias!). É certo que isso acontece em todos os concelhos do país. Todavia, fazendo jus aos indicadores sócio-económicos, à nossa localização privilegiada, à nossa riqueza em termos de património, bem como ao nosso potencial turístico, entre outros factores, deveríamos dar o exemplo e aproveitar todas essas valências no sentido de fazer de Nelas um concelho ainda melhor.
O que acontece na prática é tirado a papel químico do que tem acontecido com os governos da Administração Central, ou seja, mudam os líderes e os partidos mas as práticas não mudam, apesar de nas campanhas prometerem “mundos e fundos”. Não quero apontar culpas a ninguém, muito menos deixar exemplos, mas se me abstenho de dar voz aos críticos da actual gestão, não deixo de criticar, como sempre o fiz, o desempenho das elites locais. As famílias que anteriormente pareciam “gozar” de algum prestígio local cederam progressivamente lugar a novas elites: uma pequena elite económica, com ligações a redes nacionais e internacionais, por isso pouco interessada nas questões locais; uma elite política apostada em congregar o máximo de membros num número crescente de planos, com a particularidade desses membros serem capazes de mudar de cor se acharem conveniente, que mais não seja para garantirem prestígio junto da comunidade.
Sei que a minha reflexão será vista com desagrado pelos actuais dirigentes locais e eventualmente aplaudida pela oposição. Também é verdade que o mesmo tipo de reflexão teve já apoiantes e contestatários em papeis invertidos, para quem não se lembra, na altura sem assumir qualquer preferência política e assim contínuo, defendi a saída do Dr. José Correia da liderança da autarquia, usando dois argumentos principais: a luta com Canas de Senhorim estava transformada numa luta pessoal; muitos anos no poder não favorecem a transparência, nem a democracia.
Mantendo o meu afastamento da política, por isso escusam sequer de pensar que me quero envolver em futuras lutas, não deixo de produzir a minha leitura sobre o concelho. Sabendo que não tenho o dom da verdade, acredito que se trata de um contributo entre muitos possíveis no sentido de engrandecer a nossa terra. Não o faço por interesse nem sujeição a convicções emergentes em qualquer grupo de pertença, faço-o a título voluntário e consciente das dificuldades em ser entendido, até porque não tenho qualquer prática política e posso por isso ser acusado de falar por estar de fora, também é verdade que por esse motivo me abstenho de entrar em pormenores. Sendo verdade que o meu olhar de fora me permite ver o que outros não conseguem enxergar. Ainda que tal me custe depois, pois não é a primeira vez que me olham com a dita “cara de poucos amigos” apenas por expressar a minha opinião.

2 comentários:

ALEXANDRE disse...

Assino por baixo. Quem emitiu um comentário daqueles não tem concerteza noção do que disse. Fizeram-lhe um favor, divulgaram a iniciativa, fizeram a cobertura da mesma, e, ainda por cima se queixa. Publicidade paga-se bem caro hoje em dia,e dêem graças ainda haver pessoas que se disponibilizam para ajudar sem nenhuma contrapartida financeira. Também serve para explicar em parte o fracasso da iniciativa, que não tendo um numero exacto de participantes, pouco passou da dezena. Muito pouco. Alguém se lembrou das escolas? A população não é participativa por natureza, mas é preciso saber mobilizar as pessoas, e desta forma algo descabida de um pingo de bom senso é coisa que não vai acontecer nos próximos tempos.
Nelas precisa de acordar!

efeneto disse...

Assino por baixo.
Bom Ano a esta equipa e aos leitores com rosto.
Abraço.